Descrição
Em O Protocolo do Silêncio, a burocracia deixa de ser cenário para tornar-se mecanismo de realidade. Protocolos não apenas registram decisões — eles as antecipam; sistemas não apenas organizam fluxos — eles determinam o que existe e o que pode deixar de existir.
Ao longo de treze narrativas, personagens comuns — servidores, estagiários, técnicos — atravessam ambientes onde a lógica institucional substitui gradualmente a experiência humana. Um erro de georreferenciamento apaga uma propriedade inteira; um edital passa a se escrever sozinho; arquivos recusam ser reativados; respostas surgem antes mesmo da pergunta. Em cada história, o cotidiano administrativo é tensionado até o ponto em que o familiar se torna estranho e o procedimento se converte em destino.
Há, assim, uma experiência institucional brasileira concreta, onde o excesso de forma convive com a erosão do sentido. O resultado é um mosaico em que cada narrativa amplia e distorce a anterior.
Este não é um livro sobre a burocracia. É um livro escrito a partir dela — como se a própria máquina administrativa tivesse aprendido a narrar.






